«Salazar e a Conspiração do Opus Dei», de António José Vilela e Pedro Ramos Brandão

Posted: 22 de Junho de 2011 in Nova Ordem Mundial, Religião

Os arquivos da Torre do Tombo guardaram até hoje um segredo que este livro desvenda: a PIDE/DGS acreditava que havia uma conspiração do Opus Dei para dominar o regime do Estado Novo. A polícia política estava convicta que, tal como já conseguira na Espanha de Franco, José Maria Escrivá, o polémico fundador da Obra, queria conquistar as elites que apoiavam o regime de Oliveira Salazar.

Esta investigação histórica é o relato de uma tese conspirativa que envolveria a Irmã Lúcia, o domínio do poderoso Banco da Agricultura e uma aliança tácita, mas que acabou frustrada, com o cardeal patriarca Gonçalves Cerejeira.

Os relatórios confidenciais da PIDE/DGS revelam mais de 30 anos de infiltração silenciosa do Opus Dei em Portugal e mencionam as tentativas de recrutamento de nomes como Marcello Caetano e Adriano Moreira.

O relatório da PIDE de Setembro de 1963 não deixa dúvidas sobre aquilo que a polícia política do Estado Novo pensava acerca das acção do Opus Dei em Portugal. Uma frase resume todas as desconfianças: “Os representantes espanhóis sempre procuraram encontrar para dirigente em Portugal um homem com nome político e prestígio suficientes que o levasse um dia a fazer parte do Governo”.

A frase consta de um dos documentos dos arquivos da PIDE, guardados na Torre do Tombo, que serve de base ao livro ‘Salazar e a Conspiração do Opus Dei’, da autoria de António José Vilela e Pedro Ramos Brandão (edição Casa da Letras), acabado de chegar aos escaparates.

UNIVERSIDADE FOI A PORTA

O livro mostra como a PIDE vigiou a prelatura chefiada por José María Escrivá de Balaguer desde a sua entrada em Portugal, em 1946, quando um grupo de cinco universitários espanhóis e um cubano chegaram a Coimbra para fundar uma residência para estudantes.

E se, no início, os agentes da PIDE não descortinaram nada de suspeito nas actividades dos membros do Opus Dei – que depressa abriram novas residências, para vários membros da organização em Lisboa e Porto –, essa percepção foi mudando. Nos anos 60 Salazar foi informado pela polícia política de que o Opus Dei tinha em curso um plano para fazer chegar elementos seus ao governo e até para escolher o seu sucessor. A PIDE vigiou atentamente vários elementos da organização católica e até antigos ministros de Salazar, suspeitos de pertenceram ao Opus Dei.

“O livro é sobretudo um retrato do que consta nos ficheiros da PIDE. Percebe-se que a polícia estava convencida de que havia uma conspiração, não tanto para derrubar o regime do Estado Novo mas para condicionar a sucessão de Salazar e tentar que o governo português agisse de acordo com os princípios ultraconservadores de Escrivá Balaguer”, explica um dos autores, António José Vilela, jornalista e professor universitário.

O livro revela vários nomes que constam nos relatórios da PIDE como personalidades que terão sido aliciadas. Marcello Caetano e Adriano Moreira, ambos ministros de Salazar são apontados como alvos do Opus Dei (Adriano Moreira é mesmo apontado como o mais provável sucessor do Presidente do Conselho), mas ambos terão resistido ao assédio.

Outros ex-ministros do Estado Novo, como Leite Pinto, Vieira Barbosa e Cavaleiro Ferreira, são apontados como membros do Opus Dei, mas a polícia nunca terá conseguido provar as ligações de uma organização católica que sempre primou pela discrição.

O livro aborda também as tensões entre Escrivá de Balaguer (que visitou Portugal 12 vezes) e o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Cerejeira. “Começaram por ter uma relação muito próxima, mas Cerejeira sentiu que o seu poder estava a ser posto em causa. Tentou reagir, mas não podia travar o Opus Dei, que só responde a Roma. Cortou relações com Escrivá”, conta António José Vilela.

O Opus Dei seguiu em Portugal a receita que o fez vingar em Espanha e no resto do Mundo: recrutar os melhores e ajudá-los chegar a lugares de topo. Mas o Estado Novo resistiu à conspiração.

DITADOR ESTEVE SEMPRE A PAR DA CONSPIRAÇÃO

O livro de António José Vilela e Pedro Ramos Brandão mostra que os agentes da PIDE enviaram a Salazar vários relatórios sobre as actividades do Opus Dei em Portugal. “Ele esteve sempre ao corrente das convicções da PIDE, que a dado momento se convenceu de que o Opus Dei conspirava para condicionar a escolha do seu sucessor. Mas quer os arquivos da PIDE quer o próprio arquivo pessoal de Salazar são omissos em relação à reacção do ditador. Não sabemos que acções é que ele tomou após ser informado”, conta António Vilela.

Um dos relatórios da PIDE revela que Salazar não tinha grande apreço pela organização católica, mas o Opus Dei teve sempre liberdade de criar residências e associações em várias cidades do País. Os seus membros assumiram lugares importantes em universidades, bancos e empresas sem serem incomodados. A PIDE montou vigilâncias e apreendeu correspondência mas não consta que tenha havido detenções.
A Opus Dei encontrou em Portugal terreno fertil para desenvolver os seus planos estratégicos como instituição secreta, criando e formando personalidades de topo na sociedade do mundo político para ocupar lugares de chefia e assim dominar o poder injectando dinheiro na economia e em sectores especificos privados para dessa forma controlar e dominar, apesar de ainda hoje haver algum secretismo sobre o assunto cada vez mais a sua acção na sociedade tem vindo a ser do conhecimento publico…

Um excelente livro a ler!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s