Troca de bens e serviços como novo sistema

Posted: 21 de Julho de 2011 in Modo vida alternativo, Política e finanças, Sociedade

Feira de trocas em Soure – Uma cabeça de alho por uma aula de ginástica
Uma aula de ginástica ao preço de uma cabeça de alho, ou um aconselhamento bancário pelo valor de um quilo de clementinas são algumas das trocas que se fazem num “mercado solidário” em expansão em Soure.
Iniciado de forma experimental em 2005 pela Acção para a Justiça e Paz (AJPaz), o mercado solidário cumpriu este fim-de-semana a 12.ª edição em Granja do Ulmeiro; até 2010, pretende ser uma rotina trimestral em cada uma das 12 freguesias daquele município.
A iniciativa, que já teve edições na sede do concelho, em Soure, e em Samuel, recorre a uma moeda virtual, a moeda local ou social, que cada comunidade inventa para fomentar a troca directa de produtos e serviços.
Tudo se pode trocar: batatas, cebolas, feijão, couves, colares, pegas de cozinha, aventais, fatias de bolo, ovos, vasos de manjerico, garrafas de jeropiga, serviços de manicure, costura e medição da tensão arterial, apoio informático, escrita e leitura de cartas.
Segundo Joana Pombo, dirigente da AJPaz, os mercados solidários têm como objectivo, por um lado, fomentar a sociabilidade das pessoas e, por outro, criar uma estratégia integrada de luta contra a pobreza e a exclusão social, bem como a troca de produtos endógenos. Como as trocas directas de produtos e serviços por vezes não funcionam por falta de interesse de algum dos detentores, elas são mediadas com recurso a uma “moeda” que cada comunidade inventou e que é “cambiada” para quem se desloca ao mercado de outra freguesia.
Os habitantes da Granja do Ulmeiro inventaram “as Granjas”, os de Soure ,”os Saurius”, em atenção à origem do topónimo, e os de Samuel, “as Diabitas”, porque acreditam ser uma “terra do Diabo”.
Ao trocarem produtos agrícolas excedentes, artesanato local e serviços prestados por membros da própria comunidade, as pessoas evitam gastar dinheiro.
“Aqui não há dinheiro, e torna-se muito engraçado. Eu trouxe um bolo e comprei um avental e hortaliça”, confessou, com satisfação, Maria Helena Costa, uma adepta dos mercados solidários, que os encara também como uma forma de as pessoas da comunidade se conhecerem e conviverem.
Estes mercados, que atraem desde adolescentes a idosos, são também um meio de sensibilizar as pessoas para valores do comércio justo, do consumo responsável e para a aposta em produtos locais tradicionais. A ideia dos promotores é ajudarem a criar uma rede concelhia de mercados solidários e um circuito local para a troca de bens e serviços.

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